Pastorinhos de  Fátima 

 

 

 

 

 

 

 


                                                                                                                                                                                          

 

 

 

 

 

 

Francisco  Marto 

nasceu a 11 de Junho de 1908 no lugar de Aljustrel, e na freguesia de Fátima.

Foi baptizado a 20 de Junho.    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Jacinta nasceu a 11 de Março de 1910.Foi logo baptizada no dia 19, dia de S. José.

 

 

 

Francisco e Jacinta eram os mais novos de 9 irmãos.. Viviam felizes porque eram todos muito amigos.

Francisco era meigo, simples, humilde, paciente,

muito calmo, gostava de viver em paz com toda

a gente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os  dois irmãos gostavam de andar na companhia

da sua prima Lúcia, que morava perto.

Lúcia era um pouco mais velha, nasceu a 22 de Março de 1907.

 

 

 

A Jacinta gostava de trazer os cordeirinhos ao colo para que não se cansassem, e Francisco gostava de migar bocadinhos de pão, em cima das pedras para

que os passarinhos comessem, e não podia ver que

lhes roubassem os ninhos.

 

 

No ar puro da serra o Francisco gostava de tocar o  seu pífaro ou de cantar, enquanto Lúcia e Jacinta dançavam alegremente, ou corriam e saltavam pelos montes.

 

 

Assim na brincadeira, as horas passavam muito

depressa e os Pais tinham-lhes recomendado que

depois da merenda rezassem o Terço.

Mas os três companheiros arranjaram um bom modo

de acabar depressa: ao passar as contas diziam ...

Avé Maria...Avé Maria...e no fim muito pausadamente Pai Nosso.

 

 

Desde pequeninos aprendiam em casa e na Igreja

a amar a Deus. Uma vez quando brincavam ao jogo

das prendas Jacinta tirou da parede o crucifixo

para dar três beijos a Nosso Senhor.

 

 

Certo dia numa Procissão do Santíssimo Sacramento apesar dos sinais que Lúcia fazia a Jacinta para deitar flores a Jesus, ela só olhava e nada atirou.

Depois disse: “Eu não O vi”. Lúcia explicou-lhe que Jesus estava escondido na hóstia, e passaram a chamar “Jesus escondido”.

 

 

 

Na Primavera de 1916, num dia em que foram para a Loca do Cabeço com o rebanho tiveram a 1ªAparição do Anjo

 

 

Lúcia no livro das suas Memórias conta:

“Alguns momentos havia que jogávamos, e eis que um vento forte sacode as árvores e faz-nos levantar a vista para ver o que se passava, pois o dia estava sereno. Vemos, então, que sobre o olival se encaminha para nós um jovem dos seus 14 a 15 anos, mais branco que se fora de neve, que o sol tornava transparente como se fora de cristal e duma grande beleza. Ao chegar junto de nós, disse:

– Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.

E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão e fez-nos repetir três vezes estas palavras:

– Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Depois, erguendo-se, disse:

– Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.

   As suas palavras gravaram-se de tal forma na nossa mente, que jamais nos esqueceram. E, desde aí, passávamos largo tempo assim prostrados repetindo-as, às vezes, até cair cansados.”

 

 

A 2ªAparição do Anjo foi num dia de Verão em que brincavam em cima do Poço do quintal da Lúcia.

 

 

“Passado bastante tempo, em um dia de verão, em que havíamos ido passar a sesta a casa, brincávamos em cima dum poço que tinham meus pais no quintal a que chamávamos o Arneiro. De repente, vemos junto de nós a mesma figura ou Anjo, como me parece que era, e diz:

– Que fazeis? Orai, orai muito. Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios.

– Como nos havemos de sacrificar? – perguntei.

– De tudo que puderdes, oferecei a Deus sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar.”

 

 

A 3ªAparição do Anjo deu-se no Outono de novo na Loca do Cabeço.

 

 

“Logo que aí chegámos, de joelhos, com os rostos em terra, começámos a repetir a oração do Anjo: Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos, etc. Não sei quantas vezes tínhamos repetido esta oração, quando vemos que sobre nós brilha uma luz desconhecida. Erguemo-nos para ver o que se passava e vemos o Anjo, tendo na mão esquerda um Cálix, sobre o qual está suspensa uma Hóstia, da qual caem algumas gotas de Sangue dentro do Cálix. O Anjo deixa suspenso no ar o Cálix, ajoelha junto de nós, e faz-nos repetir três vezes:

– Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e Ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Depois levanta-se, toma em suas mãos o Cálix e a Hóstia. Dá-me a Sagrada Hóstia a mim e o Sangue do Cálix divide-O pela Jacinta e o Francisco, dizendo ao mesmo tempo:

– Tomai e bebei o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.

E prostrando-se de novo em terra, repetiu connosco outras três vezes a mesma oração e desapareceu. Nós permanecemos na mesma atitude, repetindo sempre as mesmas palavras; e quando nos erguemos, vimos que era noite e, por isso, horas de virmos para casa.”

 

As palavras do Anjo pedindo consolação para Deus que está triste por causa de tantos pecados impressionaram muito os três Pastorinhos.

Desde esse momento o Francisco tornou-se o consolador de Jesus e passava muito tempo a fazer companhia ao Jesus Escondido no sacrário.

 

 

Jacinta queria salvar muitos pecadores, rezava e fazia muitos sacrifícios pela conversão dos pecadores.

Era a primeira a correr para os pobrezinhos e a dar-lhes a merenda e assim passavam quase todo o dia sem comer.

 

 

 

1ªAparição de Nossa Senhora

Um ano depois a 13 de Maio de 1917, domingo, depois de terem ido à Missa, os três Pastorinhos levaram o rebanho para a Cova da Iria. Ao meio dia viram um relâmpago, iam a correr para casa quando viram uma Senhora, mais brilhante que o Sol, toda vestida de branco sobre uma carrasqueira.

 

 

   “– Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.

    – De onde é Vossemecê? Perguntei-lhe.

    – Sou do CÉU.

    – E que é que Vossemecê me quer?

    – Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13 a esta mesma hora, depois direi quem sou e o que quero.

Depois de nos haver dito que íamos para o Céu, perguntou:

    – Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?

    – Sim, queremos – foi a nossa resposta.

    – Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.

Nossa Senhora acrescentou:

    – Rezem o terço todos os dias, par alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.

 

Nessa mesma tarde Lúcia recomendou aos primos que guardassem segredo, mas Jacinta tão entusiasmada com a “Senhora tão bonita” contou tudo em casa.

 

 

A notícia espalhou-se, mas quase ninguém acreditava. Os Pastorinhos tiveram muito que sofrer, até da parte da família.

A Mãe da Lúcia da Lúcia até lhe bateu.

“Ou tu desenganas essa gente, confessando que mentiste, ou eu te fecho em um quarto onde não possas ver nem a luz do Sol. A tantos desgostos, faltava-me que se viesse juntar uma coisa destas.”

 

 

2ªAparição de Nossa Senhora

 

 

“Dia 13 de Junho de 1917, depois de rezar o terço com a Jacinta e o Francisco e mais pessoas que estavam presentes, vimos de novo o reflexo da luz que se aproximava (a que cha­mávamos relâmpago) e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira, em tudo igual a Maio.

– Vossemecê que me quer? – perguntei.

– Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias e que aprendam a ler. Depois direi o que quero.

Pedi a cura dum doente.

– Se se converter, curar‑se‑á durante o ano.

– Queria pedir-Lhe para nos levar para o Céu.

– Sim; a Jacinta e o Francisco levo‑os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devo­ção a Meu Imaculado Coração.

– Fico cá sozinha? – perguntei, com pena.

– Não, filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei.

O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.”

 

 

“Foi no momento em que disse estas últimas palavras que abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo dessa luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o Francisco parecia estarem na parte dessa luz que se­ elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À fren­te da palma da mão direita de Nossa Senhora, es­tava um coração cercado de espinhos que parecia estarem‑lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria repa­ração.”

 

3ªAparição de Nossa Senhora

 

 

“Dia 13 de Julho de 1917 ­­–  Momentos depois de termos chegado à Cova de Iria, junto da carrasqueira, entre numerosa multidão de povo, estando a rezar o terço, vimos o reflexo da costumada luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carras­queira.

– Vossemecê que me quer? – perguntei.

– Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.

   – Queria pedir‑Lhe para nos dizer Quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.

   – Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi Quem sou, o que quero e farei um milagre que todos hão‑de ver, para acreditar.

Aqui, fiz alguns pedidos que não recordo bem quais foram. O que me lembro é que Nossa Senhora disse que era preciso rezarem o terço para alcançarem as graças durante o ano. E continuou:

   – Sacrificai‑vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pe­los pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

 

 

Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos, como nos dois meses passados.

O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de fogo. Mergulhados em esse fogo, os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bron­zeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes (incêndios), sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor (deveu ser ao deparar‑me com esta vista que dei esse ai! que dizem ter‑me ouvido). Os demónios distinguiam‑se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados e como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora que nos disse, com bondade e tristeza:

   – Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar‑se‑ão muitas almas e terão paz. A guerra vai aca­bar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio Xl começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se con­verterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia que se converterá e será concedido ao mundo algum tempo de paz . Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé, etc. Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê‑lo.

Quando rezais o terço, dizei, depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai‑nos, livrai‑nos do fogo do inferno; levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.

Seguiu‑se um instante de silêncio e perguntei:

– Vossemecê não me quer mais nada?

– Não. Hoje não te quero mais nada.

E, como de costume, começou a elevar‑se em direcção ao nascente até desaparecer.”

 

 

Os três Pastorinhos continuavam a cumprir os pedidos de Nossa Senhora, suportavam muito tempo sem beber água em dias de muito calor, davam a merenda e com fome comiam bolotas amargas, em reparação e pela conversão de mais pecadores.

 

 

De tudo o que podiam faziam sacrifícios, até ataram uma corda à cintura que fazia doer.

 

 

O Administrador do Concelho de Vila Nova de Ourem  quis acabar com as histórias que se ouviam e mandou chamar os Pastorinhos para os interrogar. Só Lúcia foi.   

Então no dia 13 de Agosto  o Administrador foi buscar os Pastorinhos a casa, dizendo que os levava para a Cova de Iria, enganou-os e levou-os, ora para a Administração, ora para sua casa, ora para a prisão, fez-lhes promessas, e depois ameaças para lhes arrancar o segredo.

 

 

Na cadeia, Jacinta tira uma medalhinha de Nossa Senhora que levava ao pescoço, pede a um preso que a pendure na parede, ajoelham-se e com os outros presos rezam o terço.

 

 

O Administrador ameaça-os de os mandar fritar numa caldeira de azeite a ferver  um a um se não revelassem o segredo. Mas cheios de coragem dizem :”Se nos matarem até vamos mais depressa para o Céu!”.

Por fim são libertados no dia 15 de Agosto.

 

 

 

4ªAparição de Nossa Senhora

 

Foi num Domingo 19 de Agosto num lugar chamado Valinhos.

 

 

“Andando com as ovelhas, na companhia de Francisco e seu irmão João, num lugar chamado Valinhos, e sentindo que alguma coisa de sobrenatural se aproximava e nos envolvia, suspeitando que Nossa Senhora nos viesse a aparecer e tendo pena que a Jacinta ficasse sem A ver, pedimos a seu irmão João que a fosse a chamar. Como ele não queria ir, ofereci‑lhe, para isso, dois vinténs e lá foi a correr.

Entretanto, vi, com o Francisco, o reflexo da luz a que cha­mávamos relâmpago; e chegada a Jacinta, um instante depois, vimos Nossa Senhora sobre uma carrasqueira.

– Que é que Vossemecê me quer?

– Quero que continueis a ir à Cova de Iria no dia 13, que continueis a rezar o terço todos os dias. No último mês, farei o milagre, para que todos acreditem.

– Que é que Vossemecê quer que se faça ao dinheiro que o povo deixa na Cova de Iria?

– Façam dois andores: um, leva‑o tu com a Jacinta e mais duas meninas vestidas de branco; o outro, que o leve o Fran­cisco com mais três meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário e o que sobrar é para a ajuda duma capela que hão‑de mandar fazer.

– Queria pedir‑Lhe a cura dalguns doentes.

– Sim; alguns curarei durante o ano.

E tomando um aspecto mais triste:

– Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios por os pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.

E, como de costume, começou a elevar‑se em direcção ao nascente.”

 

 

5ªAparição de Nossa Senhora

No dia 13 de Setembro já uma multidão estava presente na Cova da Iria.

 

 

“Dia 13 de Setembro de 1917 – Ao aproximar‑se a hora, lá fui, com a Jacinta e o Francisco, entre numerosas pessoas que a custo nos deixavam andar. As estradas estavam apinhadas de gente. Todos nos queriam ver e falar. Ali não havia respeito humano. Numerosas pessoas, e até senhoras e cavalheiros, conseguindo romper por entre a multidão que à nossa volta se apinhava vinham prostrar‑se, de joelhos, diante de nós, pedindo que apresentássemos a Nossa Senhora as suas necessidades. Outros, não conseguindo chegar junto de nós, chamavam de longe:

– Pelo amor de Deus! peçam a Nossa Senhora que me cure meu filho, que é aleijadinho!

Outro:

– Que me cure o meu, que é cego!

Outro:

– O meu, que é surdo!

– Que me traga meu marido...

– ... meu filho, que anda na guerra!

– Que me converta um pecador!

– Que me dê saúde, que estou tuberculoso

Ali apareciam todas as misérias da pobre humanidade. E alguns gritavam até do cimo das árvores e paredes, para onde su­biam, com o fim de nos ver passar. Dizendo a uns que sim, dando a mão a outros para os ajudar a levantar do pó da terra, lá fomos andando.

Chegámos, por fim, à Cova de Iria, junto da carrasqueira e começamos a rezar o terço com o povo. Pouco depois, vimos o reflexo da luz e a seguir Nossa Senhora sobre a azinheira.

– Continuem a rezar o terço, para alcançarem o fim da guerra. Em Outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, S. José com o Menino Jesus para aben­çoarem o Mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei‑a só durante o dia.

– Têm‑me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, dum surdo‑mudo.

– Sim, alguns curarei; outros não. Em Outubro farei o mila­gre, para que todos acreditem.

E começando a elevar‑se, desa­pareceu como de costume.”

 

 

6ªAparição de Nossa Senhora

A 13 de Outubro chovia torrencialmente, mas Lúcia pediu ao povo para fechar os guarda chuvas para rezarem o Terço

 

 

“Dia 13 de Outubro de 1917 – Saímos de casa bastante cedo, contando com as demoras do caminho. O povo era em massa. A chuva, torrencial. Minha Mãe, temendo que fosse aquele o último dia da minha vida, com o coração retalhado pela incerteza do que iria acontecer, quis acompanhar‑me. Pelo caminho, as cenas do mês passado, mais numerosas e comovedoras. Nem a lamaceira dos caminhos impedia essa gente de se ajoelhar na atitude mais humilde e suplicante. Chegados à Cova de Iria, junto da carrasqueira, levada por um movimento interior, pedi ao povo que fechasse os guarda‑chuvas para re­zarmos o terço. Pouco depois, vimos o reflexo da luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.

– Que é que Vossemecê me quer?

– Quero dizer‑te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas.

– Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir: se curava uns doentes e se convertia uns pecadores, etc.

– Uns, sim; outros, não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados.

E tomando um aspecto mais triste:

– Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido.

E abrindo as mãos, fê‑las reflectir no sol. E enquanto que se elevava, continuava o reflexo da Sua própria luz a projectar-se no sol”.

 

 

“A chuva parou de repente, a multidão olhou para o Céu e viu o Sol a girar sobre si mesmo e num bailado violento parecia que ia precipitar-se sobre a terra, lançando par todos os lados feixes de luz de muitas cores.

Desaparecida Nossa Senhora, na imensa distância do fir­mamento, vimos, ao lado do sol, S. José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul. S. José com o Menino pareciam abençoar o Mundo com uns gestos que faziam com a mão em forma de cruz. Pouco depois, desvanecida esta aparição, vi Nosso Senhor e Nossa Senhora que me dava a ideia de ser Nossa Senhora das Dores. Nosso Senhor parecia abençoar o Mundo da mesma forma que S. José. Desvaneceu­‑se esta aparição e pareceu‑me ver ainda Nossa Senhora em forma semelhante a Nossa Senhora do Carmo”.

 

 

O Anjo e Nossa Senhora pediram aos Pastorinhos

orações e sacrifícios em acto de reparação pelos pecados com que Deus é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores.

Eles responderam com generosidade heróica a estes apelos.

Francisco procurava estar sozinho para pensar e consolar Nosso Senhor.

 

 

Francisco adoeceu. Vinham-no visitar tanto as crianças como os adultos. Diziam: ”Não sei o que tem o Francisco, a gente sente-se aqui bem”.

As visitas mais apreciadas eram as da irmã e da prima com as quais podia abrir o coração.

Já não podia ir à Igreja, mas mandava pela Lúcia saudades ao Jesus Escondido.

 

 

Na antevéspera da sua morte pediu à Lúcia para chamar o Senhor Padre, porque queria confessar-se e receber Jesus na Comunhão, pois não tinha ainda comungado a não ser das mãos do Anjo.

 

 

Em 4 de Abril de 1919 com 11 anos incompletos morreu a sorrir. No céu iria consolar muito a Jesus e Nossa Senhora como ele dizia.

 

 

Jacinta também adoeceu gravemente. Como não melhorava foi internada no Hospital de Vila Nova de Ourem, depois regressou a casa e em seguida foi para Lisboa para o Hospital de D. Estefânia. Aí encontrava-se sozinha e sofreu muito pelos pecadores.

Nossa Senhora voltou a aparecer-lhe e  veio buscá-la para o Céu a 20 de Fevereiro de 1920.

 

 

A santidade dos dois, já conhecida nos últimos meses das suas vidas, espalhou-se rapidamente por todo o mundo depois das suas mortes.

O Processo para a Beatificação de Francisco e Jacinta foi iniciado oficialmente a 21 de Dezembro de 1949 e entregue em Roma em 1979.

Em 13 de Maio de 1989 o Papa João Paulo II reconheceu solenemente a heroicidade das suas virtudes, apresentando-os com modelos de santidade e poderosos intercessores para todos, em especial para as crianças.

 

 

Em 13 de Maio de 2000 o Papa João Paulo II presidiu no Santuário de Fátima à Beatificação de Francisco e Jacinta.

A partir desse dia são chamados Beatos e a sua Festa celebra-se a 20 de Fevereiro.

 

 

Cantemos alegres a uma só voz:

Francisco e Jacinta rogai por nós!

 

Jacinta e Francisco, Pastorinhos de Fátima, queremos aprender convosco o caminho que nos leva a uma vida de verdadeira união com Jesus.

 

Ensina-nos Jacinta, a amar os outros com todo o nosso coração, a reconhecer neles o Amor de Deus e a dar a vida para que nenhum se perca. Ensina-nos a desejar tão intensamente como tu  a conversão dos pecadores, a começar por cada um de nós.

 

Ensina-nos Francisco, o teu amor, fiel e silencioso, por Jesus. Faz-nos desejar cada vez mais a Sua  companhia na oração e na Eucaristia e identificar-nos com a dor do seu coração ferido pela ingratidão dos homens.

 

Pastorinhos de Fátima, pela vossa mão queremos  entra cada vez mais no Coração de Maria, nosso refúgio, que nos há-de conduzir até Deus.